Estudo preliminar do Butantan indica que CoronaVac neutraliza as novas variantes do SARS-CoV-2
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Por: Diário da Manhã, Publicado em: quinta, 11 de março de 2021

Um estudo preliminar realizado pelo Instituto Butantan sugere que a vacina CoronaVac pode neutralizar as variantes P.1. e P.2. do SARS-CoV-2. Além do relaxamento das medidas de distanciamento social nas festas de fim de ano e carnaval e o ritmo lento da vacinação, a variante brasileira (P.1.) – potencialmente mais transmissível – tem sido apontada por epidemiologistas como uma das causas da alta recente de casos e mortes por COVID-19.

“A questão das variantes preocupa a todos nós. Precisamos de muita atenção e avaliar se as vacinas produzem anticorpos contra elas. Já sabíamos que a CoronaVac tinha eficácia comprovada contra as variantes do Reino Unido (B.1.1.7) e da África do Sul (B.1.351) e agora sabemos que a vacina é eficiente também contra as variantes P.1. e P.2.”, diz Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (10/03).

A vacina CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Os estudos clínicos com o imunizante têm apoio da FAPESP.

“O estudo foi feito em parceria com a USP em laboratório de biossegurança 3 (NB3), onde é possível manipular o vírus. Na análise, adicionamos as variante P.1. e P.2. a uma cultura celular que continha o soro de pessoas imunizadas. O resultado, embora ainda em um número pequeno de amostras, foi muito satisfatório. Os anticorpos presentes no soro neutralizaram a ação da variante P.1.”, afirma Ricardo Palacios, diretor médico de Pesquisa Clínica do Butantan.

A variante P.1., descoberta pela primeira vez em viajantes japoneses que retornavam de Manaus, já está circulando pelo Brasil e causa preocupação por ser potencialmente mais transmissível. Já a variante P.2., reportada inicialmente no Rio de Janeiro e que também está em circulação pelo país, não está entre as novas variantes de preocupação.

Na coletiva de imprensa, Covas ressaltou que as variantes são novas formas do vírus e algumas delas apresentam características extremamente preocupantes. “Este é o caso da B.1.17 [conhecida como variante do Reino Unido], cuja transmissão é aumentada de 30% a 50% e a gravidade dos casos é 30% superior. Já a variante B.1.351 [sul-africana] está relacionada a aumento da carga viral nos infectados e transmissão aumentada, sendo resistente à neutralização de anticorpos gerados por algumas vacinas ou por infecção natural prévia. A variante P.1. concentra as mutações principais das variantes do Reino Unido e da África do Sul”, afirmou.

“Por isso, trata-se de resultados animadores, mas acredito que o mais importante seja a junção desses resultados em laboratório com a resposta que estamos vendo na redução de infecção entre os idosos vacinados em fevereiro. Esse dado real, que também é preliminar, indica que a vacinação funciona e também funciona para as variantes em circulação”, diz Palacios à Agência FAPESP.

De acordo com dados da Prefeitura de São Paulo, em plena alta de casos da doença, a morte de idosos com mais de 90 anos despencou 70% – de 127 em janeiro, para 38 em fevereiro. Houve ainda redução drástica no número de hospitalizações. Esta é a faixa etária que foi imunizada.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde reportou também a diminuição no número de pedidos de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em idosos com mais de 85 anos.


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