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O diagnóstico de câncer de mama inaugura uma rotina de consultas, exames e decisões sobre o tratamento. Mas também pode trazer medo, insegurança em relação ao futuro e preocupações com filhos, trabalho, renda e relacionamentos.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Além do cuidado médico, o cenário reforça a importância de atenção à saúde emocional de quem enfrenta a doença.
"Uma pessoa pode estar comprometida com o tratamento e, ao mesmo tempo, sentir medo, raiva ou tristeza. Essas emoções não significam falta de força. O cuidado começa quando ela encontra espaço para dizer como está, sem precisar tranquilizar quem está ao redor", afirma a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa.
O que muda
As reações emocionais não seguem uma sequência. A notícia, o tratamento e o período posterior podem despertar sentimentos diferentes, incluindo preocupação com a família, finanças, imagem corporal, sexualidade e possibilidade de retorno da doença.
A rotina também pode exigir rearranjos. Atividades antes realizadas sem ajuda podem passar a depender do planejamento ou da participação de familiares e amigos.
"Quem concentrava os cuidados da casa ou dos filhos pode precisar dividir tarefas. Isso pode trazer alívio, mas também culpa, desconforto e sensação de perda de autonomia", diz Luanda.
Mudanças no corpo durante o tratamento podem afetar a autoestima, a imagem corporal e a intimidade. Não há obrigações de responder positivamente a essas transformações, nem um prazo único para se adaptar a elas.
Apoio sem cobrança
Frases como “você precisa ser forte” e “não pense negativo” podem ter boa intenção, mas restringir o espaço para falar sobre sofrimento. O medo de recorrência é uma preocupação frequente após o câncer e pode estar associado a maior sofrimento emocional, ansiedade e depressão.
"Escutar não é concordar com a emoção do outro. Em vez de responder ao medo com uma cobrança de coragem, é possível perguntar: 'Você quer conversar ou prefere companhia em silêncio?'. Acolher também é não tentar resolver tudo em uma frase", afirma Luanda.
Apoiar pode significar agir de maneira prática:
- Oferecer transporte ou companhia em consultas, respeitando a preferência da pessoa.
- Combine ajuda com refeições, compras, cuidados com os filhos e outras tarefas.
- Pergunte antes de visitar e respeite momentos de descanso e privacidade.
- Não compartilhe informações sobre o diagnóstico sem autorização.
- Mantenha contato sem respostas rápidas ou atualizações constantes.
"Qualquer coisa, me avise' pode deixar a organização nas mãos de quem já está sobrecarregado. Uma oferta específica facilita: 'Posso cuidar das compras nesta semana?", diz.
O cuidado continua depois
O fim do tratamento pode trazer alívio, mas não encerrar necessariamente a insegurança. Consultas de acompanhamento, exames ou novos sintomas podem reativar preocupações, e a retomada da rotina pode exigir tempo.
Quando o medo, a tristeza ou a ansiedade se tornam difíceis de suportar, é importante procurar uma equipe de saúde. Psicoterapia, grupos de apoio e, quando indicado, avaliação médica ou psiquiátrica podem integrar o cuidado.
"O acompanhamento psicológico não ensina ninguém a aceitar tudo nem a permanência positiva. Ele oferece espaço para nomear o que acontece, comunicar necessidades e encontrar formas de atravessar esse período com apoio", conclui Luanda.
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