Câncer de mama: o impacto emocional do diagnóstico e como criar uma rede de apoio
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: terça, 13 de outubro de 2026

O diagnóstico de câncer de mama inaugura uma rotina de consultas, exames e decisões sobre o tratamento. Mas também pode trazer medo, insegurança em relação ao futuro e preocupações com filhos, trabalho, renda e relacionamentos.

 

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Além do cuidado médico, o cenário reforça a importância de atenção à saúde emocional de quem enfrenta a doença.

 

"Uma pessoa pode estar comprometida com o tratamento e, ao mesmo tempo, sentir medo, raiva ou tristeza. Essas emoções não significam falta de força. O cuidado começa quando ela encontra espaço para dizer como está, sem precisar tranquilizar quem está ao redor", afirma a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa.

 

O que muda

 

As reações emocionais não seguem uma sequência. A notícia, o tratamento e o período posterior podem despertar sentimentos diferentes, incluindo preocupação com a família, finanças, imagem corporal, sexualidade e possibilidade de retorno da doença.

 

A rotina também pode exigir rearranjos. Atividades antes realizadas sem ajuda podem passar a depender do planejamento ou da participação de familiares e amigos.

 

"Quem concentrava os cuidados da casa ou dos filhos pode precisar dividir tarefas. Isso pode trazer alívio, mas também culpa, desconforto e sensação de perda de autonomia", diz Luanda.

 

Mudanças no corpo durante o tratamento podem afetar a autoestima, a imagem corporal e a intimidade. Não há obrigações de responder positivamente a essas transformações, nem um prazo único para se adaptar a elas.

 

Apoio sem cobrança

 

Frases como “você precisa ser forte” e “não pense negativo” podem ter boa intenção, mas restringir o espaço para falar sobre sofrimento. O medo de recorrência é uma preocupação frequente após o câncer e pode estar associado a maior sofrimento emocional, ansiedade e depressão.

 

"Escutar não é concordar com a emoção do outro. Em vez de responder ao medo com uma cobrança de coragem, é possível perguntar: 'Você quer conversar ou prefere companhia em silêncio?'. Acolher também é não tentar resolver tudo em uma frase", afirma Luanda.

 

Apoiar pode significar agir de maneira prática:

  • Oferecer transporte ou companhia em consultas, respeitando a preferência da pessoa.
  • Combine ajuda com refeições, compras, cuidados com os filhos e outras tarefas.
  • Pergunte antes de visitar e respeite momentos de descanso e privacidade.
  • Não compartilhe informações sobre o diagnóstico sem autorização.
  • Mantenha contato sem respostas rápidas ou atualizações constantes.

"Qualquer coisa, me avise' pode deixar a organização nas mãos de quem já está sobrecarregado. Uma oferta específica facilita: 'Posso cuidar das compras nesta semana?", diz.

 

O cuidado continua depois

 

O fim do tratamento pode trazer alívio, mas não encerrar necessariamente a insegurança. Consultas de acompanhamento, exames ou novos sintomas podem reativar preocupações, e a retomada da rotina pode exigir tempo.

 

Quando o medo, a tristeza ou a ansiedade se tornam difíceis de suportar, é importante procurar uma equipe de saúde. Psicoterapia, grupos de apoio e, quando indicado, avaliação médica ou psiquiátrica podem integrar o cuidado.

 

"O acompanhamento psicológico não ensina ninguém a aceitar tudo nem a permanência positiva. Ele oferece espaço para nomear o que acontece, comunicar necessidades e encontrar formas de atravessar esse período com apoio", conclui Luanda.

 

Sobre a Luanda Rosa

Psicóloga e neuropsicóloga (CRP 06/106954), especialista em autismo na adolescência e na vida adulta. Atua há 15 anos com avaliação neuropsicológica de adultos, é coautora do livro Protagonismo Feminino e consultora em inclusão de pessoas autistas para empresas. Também participa de podcasts, palestras e eventos sobre autismo na vida adulta e neurodiversidade.


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