Entidades e instituições do agro criam o Movimento G30 para elevar a 30% o uso de tecnologias reprodutivas na pecuária brasileira até o ano de 2030
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: terça, 29 de setembro de 2026

Atualmente, cerca de 23% das fêmeas de corte e de leite em idade reprodutiva no Brasil são inseminadas. O Movimento G30 quer mudar esse cenário e elevar esse índice para pelo menos 30%, atingindo 3 em cada 10 fêmeas até 2030.

O G30 é formado por diversas entidades de classe do setor privado, academia, instituições públicas e empresas, reunindo representantes dos diferentes elos ligados à pecuária brasileira. Em comum, todos têm atuação direta ou relacionada às cadeias da carne e do leite e o compromisso de construir uma agenda conjunta voltada ao aumento da produtividade, da eficiência e da sustentabilidade do setor.

“A proposta do G30 é ampliar a adoção integrada de tecnologias como fator de competitividade da pecuária brasileira. Sabemos que, em muitas propriedades, a tecnologia reprodutiva funciona como uma das portas de entrada para a tecnificação, porque permite ao produtor incorporar genética superior ao rebanho e constatar, de forma concreta, os ganhos que a tecnologia proporciona. Mas esse é apenas o começo”, explica Luis Adriano Teixeira, presidente da ASBIA, entidade que idealizou o movimento.

A atuação do G30 será coordenada por um Comitê Gestor formado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Associação Brasileira de Andrologia Animal (ABRAA), , Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) e Embrapa.

O Comitê é responsável pela definição das diretrizes e ações prioritárias do movimento, que serão desdobradas em diferentes frentes de atuação, envolvendo educação e capacitação, pesquisa e inovação, políticas públicas e relações governamentais, instituições de ensino e pesquisa, entidades de classe, empresas e indústria, assistência técnica e produção rural. A proposta é fazer com que as iniciativas alcancem, de forma coordenada, os diferentes agentes e elos da pecuária brasileira – do conhecimento científico e da formulação de políticas públicas até a adoção das tecnologias no campo.

“Para que a genética expresse todo o seu potencial e se traduza em melhores resultados reprodutivos e produtivos, é fundamental ser acompanhada de nutrição adequada, sanidade, manejo eficiente e uma gestão cada vez mais qualificada da propriedade. É essa visão integrada que orienta o G30 e estimula a evolução conjunta das ferramentas que interferem no desempenho do sistema de produção”, completa Luis Adriano.

Além do ganho econômico, a adoção de tecnologias ajuda a ter uma pecuária de menor impacto ambiental. Estudos liderados por pesquisadores da USP e Embrapa mostram que a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir em até 37% a pegada de carbono por litro de leite e em até 49% por quilo de peso vivo na produção de corte, quando comparada a sistemas baseados exclusivamente em monta natural.

“Tecnologia isolada gera avanço individual, mas quando está integrada às condições adequadas de manejo e gestão, o potencial de transformação é muito maior, tanto em produtividade quanto em sustentabilidade para a cadeia produtiva”, destaca o presidente da ASBIA. “A proposta é colocar diferentes atores da cadeia em uma mesma direção, com a tecnologia reprodutiva integrada às demais práticas que determinam o desempenho da produção. O produtor está no centro desse processo, mas precisamos de todos trabalhando para transformar potencial produtivo em resultados concretos”.

Além do trabalho com os produtores, o G30 utilizará os mecanismos públicos disponíveis, como os recursos para melhoramento genético animal contemplados pelo RenovAgro, programa de crédito rural voltado à agricultura de baixo carbono. Há possibilidade de financiamento de até R$ 5 milhões por produtor para investimento nesse campo.

A pecuária é a maior atividade animal do Brasil, com Valor Básico da Produção de R$ 510 bilhões. No total, o rebanho de corte e leite tem 218 milhões de cabeças, sendo 70 milhões de fêmeas em idade reprodutiva. Em 2025, o país produziu 12,4 milhões de toneladas de carne bovina e 38 bilhões de litros de leite, além de exportar 3,5 milhões de toneladas de carne bovina.

“Os números da atividade já são excelentes, mas ampliar a eficiência reprodutiva contribuirá para acelerar ainda mais o melhoramento genético e, por consequência, incrementar a produtividade. Isso representa mais carne e leite e, consequentemente, mais rentabilidade para os pecuaristas e receita para o país”, assinala o presidente da ASBIA.

Sobre a Asbia

 

Fundada em novembro de 1974, a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) tem como objetivo difundir e fomentar o uso da inseminação artificial na pecuária nacional. Para isso, a entidade realiza ações visando a promoção e divulgação da técnica, além de colaborar com poderes governamentais. A Asbia também busca cooperar com o aperfeiçoamento e o desenvolvimento do setor empresarial, para ampliar o mercado e melhorar os sistemas de distribuição de seus produtos.


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