Com direção de André Furtado, a obra reúne relatos de indígenas Guarani sobre território, cultura e transmissão de conhecimentos, e contrapõe a lógica do consumo a outras formas
de habitar e viver em comunidade. O filme integra o projeto Mekukradjá – Círculo de Saberes, que vem sendo realizado pelo Itaú Cultural desde 2016, e é parte da programação para o Agosto Indígena
No Agosto Indígena, mês dedicado a fortalecer a luta, a visibilidade e a cultura dos povos originários, a Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema brasileiro, recebe no dia 14 o documentário Mekukradjá: Territórios – Chão e Afeto. Dirigida por André Furtado, gerente do núcleo de Criação e Plataforma no IC, a obra propõe uma reflexão sobre território, moradia e modos de existência a partir da cosmovisão do povo Guarani. O filme reúne relatos sobre um modo de vida em constante transformação, no qual adaptação e tradição caminham juntas. A programação se reúne à série Gente verdadeira, em cartaz na Itaú Cultural Play, revelando um olhar sensível sobre as infâncias indígenas no Brasil.
Ao abordar questões como território, saúde, educação e transmissão de conhecimentos entre gerações, Mekukradjá: Territórios – Chão e Afeto evidencia a importância da permanência cultural diante das mudanças contemporâneas. A produção também questiona a lógica do consumo e do acúmulo material, mostrando como a relação com a terra, a preservação da cultura e dos saberes ancestrais orientam outras formas de habitar o mundo.
O filme integra o projeto Mekukradjá – Círculo de Saberes, iniciativa dedicada à valorização e à difusão dos conhecimentos dos povos indígenas realizada pelo Itaú Cultural desde 2016.
Infância indígena
Por sua vez, a série Gente Verdadeira propõe um olhar sensível sobre as infâncias indígenas no Brasil. Os 12 episódios acompanham crianças que vivem tanto em comunidades remotas quanto em áreas urbanizadas, mostrando como transitam entre tecnologias contemporâneas e a preservação de conhecimentos ancestrais. Os povos são Pataxó, Ka'apor, Wai Wai, Ingarikó, Cinta-Larga, Omágua-Kambeba, Macuxi, Guarani, Kaingang, Laklãnõ-Xokleng e Awá-Guajá. Ao apresentar diferentes formas de crescer, aprender e se relacionar com o território, a produção convida o público a refletir sobre o futuro da humanidade a partir da perspectiva dos povos originários. O título faz referência à forma como diversos povos indígenas se autodenominam: gente verdadeira ou gente de verdade.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Parte do conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
Presencial
Além da plataforma, a programação presencial de agosto no IC se alinha ao Agosto Indígena, com apresentações cênicas que aproximam as crianças da literatura, da ancestralidade e da poesia. Todos os sábados de agosto, a partir das 11h30, a atriz e contadora de histórias Dani Mara apresenta Plantando contos: histórias indígenas da Mata Atlântica, contação de histórias que une teatro e literatura indígena para compartilhar narrativas dos povos Borun e Pataxó, de Minas Gerais. No dia 15 de agosto, a atividade é realizada no piso térreo do IC; nos dias 22 e 29, o endereço é o Bulevar do Rádio, espaço ao ar livre entre o Itaú Cultural e o Sesc Avenida Paulista.
FICHA E SINOPSE DO DOCUMENTÁRIO
Mekukradjá: Territórios – Chão e Afeto
de André Furtado (documentário, 13 min, São Paulo, 2024)
Classificação indicativa: AL — Drogas lícitas
Sinopse: Em uma sociedade que cada vez mais almeja o consumo e amplia as suas necessidades materiais, este documentário é um convite para repensar os modelos atuais de moradia e existência. Para o povo Guarani, viver de acordo com as necessidades é o "suficiente" ao questionar o território como um lugar em constante adaptação, em paralelo à preservação da cultura e de saberes ancestrais.
FICHAS E SINOPSES DA SÉRIE
Pataxó
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Bahia, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Quando os portugueses chegaram ao Brasil pela primeira vez, no litoral da Bahia, foram muito bem recebidos pelos Pataxós. Desde então, a vida de milhões de indígenas foi transformada, e ficou mais difícil. Mesmo assim, com a ajuda de professores e lideranças, que insistem em preservar a cultura ancestral, meninas e meninos resistem para ter uma vida feliz nas suas comunidades originárias.
Ka'apor
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Maranhão, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Os Ka’apor quase perderam os seus modos de vida e idioma. Mas apesar dos ataques e ameaças por parte dos não-indígenas, hoje as crianças que nascem nas comunidades, restritas a alguns territórios no coração da Amazônia, conhecem e retomam com alegria algumas tradições.
Wai Wai
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Roraima, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Bem longe de qualquer centro urbano, as crianças Wai Wai e os adultos da comunidade vivem dos igarapés e da floresta. O rio também é a única estrada, e de onde tiram grande parte do seu alimento. A colheita da castanha é fundamental para manter a união de todos.
Ingarikó
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Roraima, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: As crianças Ingarikó vivem em montanhas de uma Amazônia diferente, bem perto de onde o mundo começou, no Monte Roraima. Lá, sem energia elétrica e pouco do que existe nas cidades, eles fazem longos caminhos e atravessam um rio a pé para irem à escola. Os recém-nascidos só vão ganhar um nome um bom tempo depois.
Cinta larga
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Rondônia, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Na aldeia central, cercada por territórios muito cobiçados pelos não-indígenas, os Cinta-Larga mantêm seus nomes indígenas e o idioma ancestral. Com um histórico de guerreiros valentes, enfrentaram massacres com muita coragem. Hoje meninos e meninas podem brincar no rio e aprendem o valor de cuidar do território.
Kambeba
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Amazonas, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Os Omágua-Kambeba, o povo das águas, vivem às margens do rio Cuieiras, afluente do Rio Negro. Antes de se encontrarem com os não-indígenas, eles dominavam a técnica de usar o algodão na Amazônia, e ainda hoje fazem suas roupas.
Macuxi
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Roraima, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Sem acesso à energia elétrica, supermercados ou hospitais, uma numerosa família do povo Makuxi, originária da Guiana, vive hoje no Brasil, na região de fronteira com a Venezuela. Em casa, crianças de diferentes idades crescem cercadas pelos ensinamentos ancestrais transmitidos por pais e avós. Ao mesmo tempo, a proximidade de uma rodovia e da escola da comunidade favorece o contato cotidiano com a sociedade não indígena.
Guarani
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Às margens da BR-101, no litoral de Santa Catarina, três comunidades do povo Guarani resistem às pressões para deixar seus territórios ancestrais. A disputa pela terra é um conflito que atravessa gerações.
Kaingang
de Vanessa Neres (documentário, 13 min, Santa Catarina, Paraná, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Uma criança vai nascer na comunidade de Mangueirinha dos Kaingang, o povo que vive em torno de uma das maiores florestas de araucárias do Brasil.
LAKLÃNÕ-XOKLENG
de Jucelino Filho (documentário, 13 min, Santa Catarina, Paraná, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Em meio às discussões sobre a Lei do Marco Temporal, os Laklãnõ-Xokleng se preparam para o nascimento de mais uma criança. Talvez ela tenha a oportunidade de caminhar pela mata e beber da água limpa que brota da mesma terra onde viveram seus ancestrais. Esse povo que habita as montanhas do Sul do Brasil há séculos resiste às violências promovidas por colonizadores.
Parque das tribos
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Amazonas, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Muitos indígenas do Amazonas seguem para Manaus, onde encontram parentes que já vivem na capital. Esse movimento não é recente e faz parte de um fluxo que atravessa séculos. O território onde hoje está Manaus era tradicionalmente habitado pelo povo Manaó, dizimado durante o processo de colonização. Povos indígenas que vivem na cidade se organizam em ocupações como o Parque das Tribos. Ali, entre parentes de diferentes povos, uma criança está prestes a nascer.
Marcha das mulheres indígenas
de Jama Wapichana (documentário, 13 min, Santa Catarina, Distrito Federal, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Todos os anos, mulheres indígenas de todo o Brasil organizam um grande encontro em Brasília. A liderança feminina não é novidade para os indígenas. Elas manifestam para a conservação do meio ambiente, dos territórios, por saúde, educação e respeito pelas crianças.
AWÁ-GUAJÁ
de Chico Faganello (documentário, 13 min, Santa Catarina, Maranhão, 2024)
Classificação indicativa: AL
Sinopse: Antes, os Awá-Guajá viviam livremente, percorrendo as florestas de seu território ancestral. Com o avanço da ocupação por não indígenas, porém, passaram a viver em aldeias sob a proteção das autoridades, já que suas terras são constantemente cobiçadas por causa da madeira, dos minerais e de outras riquezas naturais. Na aldeia Cocal, a maior parte dos moradores é composta por crianças, que não têm acesso a telefone celular, televisão ou computador e quase não falam a língua portuguesa.
SERVIÇO:
Na Itaú Cultural Play
Mekukradjá: Territórios – Chão e Afeto
14 de agosto
Gente Verdadeira – 1ª temporada
Em cartaz
Contação de história (presencial)
Plantando contos – Histórias indígenas da Mata Atlântica
Com Dani Mara
Aos sábados até 29 de agosto, às 11h30
15 de agosto – Piso térreo do IC
22 e 29 de agosto – Bulevar do Rádio
Duração aproximada: 30 minutos
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita, basta chegar. Sujeito à lotação.