Confira 5 atividades para trabalhar a diversidade cultural em sala de aula Anny Carneiro Santos, assessora pedagógica da Rede Pitágoras, pontua a importância da formação do docente para abordar a pluralidade e engajar os estudantes nessa temática
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Por: Diário da Manhã, Publicado em: segunda, 13 de julho de 2026

De acordo com a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), as Diretrizes Curriculares, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os referenciais curriculares, o trabalho com a diversidade cultural de forma transversal e estruturante nos currículos escolares é essencial para uma formação completa, tanto no quesito acadêmico quanto social.

 

Para Anny Carneiro Santos, assessora pedagógica da Rede Pitágoraso multiculturalismo deve ser tratado como um tema central na formação do cidadão, pois assegura um processo de combate aos preconceitos enraizados no país. Essa abordagem promove um movimento de respeito e empatia, favorecendo a construção de uma sociedade mais justa e democrática. 

 

“Historicamente, o Brasil constituiu-se pelo pluralismo, seja nativo ou fruto dos processos migratórios. Conhecer a história como realmente é, compreender que nos municípios existem indígenas, ciganos, pescadores, ribeirinhos, quilombolas e outros que compõem os Povos e Comunidades Tradicionais é um ponto-chave para promover o respeito e aprender a conviver democraticamente com a diversidade brasileira”, reforça a educadora.

 

Diversidade na formação do docente

Para Anny, a formação completa de professores é considerada uma das principais políticas públicas para o fortalecimento da qualidade da Educação Básica no Brasil. Dessa forma, no contexto de pluralidade cultural, a capacitação continuada atua como uma política de fortalecimento das práticas pedagógicas, oferecendo subsídios teóricos e práticos para promover a autoformação do docente.

 

Como aplicar em diferentes áreas?  

Existem diversas maneiras de trabalhar a temática em diferentes componentes curriculares. “Em qualquer etapa escolar é possível abordar a história africana e afro-brasileira, considerando que os povos africanos antigos contribuíram significativamente para o desenvolvimento e uso da matemática”, exemplifica a assessora pedagógica.

 

Já nas Ciências Humanas, Anny pontua que falar sobre períodos históricos do Brasil, os quais muitas vezes não são abordadas as participações dos povos indígenas, é uma boa estratégia. “Outra maneira é abordar o período de produção açucareira no Brasil Colônia, por exemplo, que frequentemente não é destacado que os primeiros escravizados foram os povos indígenas do Brasil e não os africanos, que chegaram posteriormente”, reforça.

 

Segundo a especialista, a partir dessa ação, o professor conseguirá abordar a temática da diversidade cultural de forma mais clara e consciente, promovendo um trabalho transversal e antirracista, para além dos componentes curriculares da área de Ciências Humanas. Isso implica reinterpretar narrativas históricas e romper com perspectivas eurocêntricas, conforme orienta a BNCC.

 

Outro exemplo, na área de Língua Portuguesa, é trabalhar a leitura crítica por meio das linguagens, das diferentes áreas do conhecimento e dos diversos contextos sociais, problematizando o preconceito e o racismo estrutural. Essas são alternativas para o docente para que a temática passe a ser tratada como elemento estruturante da formação humana.

 

Veja como colocar em prática 

Para inspirar os professores, a especialista menciona 5 exemplos de atividades a serem realizadas para trabalhar a diversidade cultural e engajar os alunos em sala de aula. Confira: 

  1. Misture o lúdico com a história: utilize jogos da cultura africana para trabalhar em práticas de alfabetização matemática, por exemplo. Reforce o contexto histórico de maneira criativa, favorecendo a valorização deste povo;
  2. Aposte em diferentes obras literárias: trabalhe as literaturas de autores indígenas e negros nas escolas, transformando a formação eurocentrista em algo plural;
  3. Use a arte como ferramenta: ofereça oficinas de artifícios e visuais com a participação de pessoas indígenas e negras, mesmo que de forma virtual ou apenas com conhecimento das artes pelos professores;
  4. Promova momentos de trocas: promova rodas de conversas sobre a temática. É uma opção de aproximar a escola, tirar dúvidas e promover conscientização;
  5. Faça vivências dentro e fora da escola: visite diferentes comunidades e povos ou ofereça essa imersão dentro de sala de aula.

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