O prazo para entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 2026, ano-calendário 2025, já começou. Com a abertura do período, além da preocupação com o correto preenchimento das informações, cresce também o assédio de instituições financeiras oferecendo antecipação da restituição e, paralelamente, as tentativas de golpes envolvendo o nome da Receita Federal do Brasil.
Neste ano, porém, a antecipação da restituição tende a ser menos vantajosa. A Receita Federal definiu um calendário mais enxuto, com apenas quatro lotes de pagamento, entre maio e agosto de 2026. O primeiro lote será pago em 29 de maio, seguido por 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto. A meta do Fisco é quitar até 80% das restituições já nos dois primeiros lotes.
Com esse encurtamento do calendário, o intervalo entre a entrega da declaração e o recebimento da restituição tende a ser menor para grande parte dos contribuintes. Na prática, isso reduz o tempo de espera e faz com que o custo dos juros da antecipação perca parte do sentido, já que o dinheiro deve entrar em conta em um prazo mais curto.
Especialistas alertam que o contribuinte precisa redobrar a atenção, tanto na análise da real necessidade de contratar a antecipação como na proteção de seus dados pessoais.
Vale a pena antecipar a restituição?
A antecipação é um serviço oferecido por bancos no qual o contribuinte recebe antes o valor estimado da restituição e, quando a Receita deposita o montante, o banco quita automaticamente o empréstimo, acrescido de juros e IOF.
As taxas costumam ser mais baixas do que outras linhas de crédito, variando em média entre 1,5% e 2% ao mês, justamente porque o valor a ser restituído funciona como garantia. “Esse é um empréstimo que tem como garantia o valor devido pela Receita Federal de restituição, por isso os juros são mais baixos. Outro ponto importante é que o contribuinte tem que estar atento ao calendário de restituição”, explica Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, a Abefin.
Com apenas quatro lotes previstos e pagamentos concentrados até agosto, a antecipação deixa de ser tão atrativa quanto em anos em que o calendário se estendia por mais tempo. Em muitos casos, pode ser mais estratégico organizar o orçamento por algumas semanas e aguardar o depósito, evitando a contratação de crédito.
Além disso, o próprio contribuinte pode adotar estratégias para receber antes, sem recorrer à antecipação. “A Receita mantém critérios de prioridade para pagamento, contemplando idosos com 80 anos ou mais, idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiência ou moléstia grave e contribuintes cuja principal fonte de renda seja o magistério. Também ganham prioridade aqueles que utilizarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição via Pix”, explica Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade..
O pagamento ocorre na data em que a restituição é liberada ou no vencimento previsto em contrato, o que acontecer primeiro. E é aí que mora o risco. “Para pedir a antecipação aos bancos, o contribuinte deve ter certeza de que tudo está correto na declaração. Caso ela apresente problemas e caia na malha fina, ele terá que arcar com o pagamento de mais juros e multas”, alerta Reinaldo Domingos.
Segundo Richard Domingos, com o avanço dos cruzamentos eletrônicos de dados, cair na malha fina está mais fácil. “Às vezes, a pessoa faz tudo corretamente, mas a fonte pagadora informa algo diferente do que entregou ao colaborador. Isso já pode gerar inconsistência.”
Por isso, a recomendação é entregar a declaração o quanto antes. O próprio sistema aponta possíveis inconformidades, aumentando a chance de ajustes prévios e reduzindo riscos. Com o calendário mais curto em 2026, enviar cedo pode significar receber já nos primeiros lotes, diminuindo ainda mais o intervalo até o crédito em conta.
Reinaldo ainda ressalta que a restituição deve ser usada com estratégia. “Todo dinheiro extra deve ser tratado com respeito. O ideal é priorizar a formação de uma reserva estratégica e evitar comprometer esse recurso com consumo imediato.”
Golpes aumentam com a abertura do prazo
Ainda em relação ao Imposto de Renda Pessoa Física, cresce a circulação de mensagens falsas prometendo “liberação imediata da restituição”, “regularização para evitar malha fina” ou “consulta urgente de pendências”. Os criminosos aproveitam o período de entrega da declaração para intensificar tentativas de golpe e capturar dados pessoais dos contribuintes.
“Mais uma vez os criminosos se aproveitam do desconhecimento e da vontade de receber ganhos extras ou do medo da malha fina como estratégia para captar vítimas. Eles prometem simplicidade e rapidez, mas é uma armadilha”, afirma Richard Domingos. Os golpes costumam chegar por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram, com links maliciosos que instalam vírus ou capturam dados pessoais e bancários.
“É importante reforçar que a Receita Federal não envia mensagens com links para regularização ou saque de restituição. O caminho correto é acessar os portais oficiais digitando o endereço no navegador, nunca clicando em links recebidos”, alerta Richard. O acesso às informações deve ser feito diretamente pelo portal oficial da Receita, como o e-CAC, por meio de login seguro via Gov.br ou certificado digital.
Como se proteger
Para evitar cair nesses golpes, é fundamental estar atento aos sinais de fraude e adotar algumas precauções. Richard Domingos oferece as seguintes orientações:
Outro ponto importante é lembrar que a restituição será depositada diretamente na conta bancária informada na declaração. Não existe taxa para “liberar” valores nem necessidade de intermediação de terceiros.
Seguindo essas orientações, é possível reduzir significativamente o risco de cair em golpes relacionados à restituição do Imposto de Renda. É importante estar sempre alerta e consciente dos possíveis riscos, para garantir a segurança dos seus dados pessoais e financeiros.