Uso de Inteligência Artificial para fazer a declaração pode ajudar, mas exige cautela para evitar malha fina
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: segunda, 06 de abril de 2026

Com o avanço acelerado das Inteligências Artificiais (IAs) generativas e sua incorporação ao dia a dia de milhões de brasileiros, cada vez mais contribuintes recorrem a essas ferramentas para esclarecer dúvidas e até estruturar a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, ano-calendário 2025.
 

Ferramentas baseadas em IA conseguem explicar regras tributárias, orientar sobre preenchimento e até sugerir caminhos para organizar informações. Mas especialistas alertam: confiar exclusivamente nessas plataformas pode gerar erros e levar à malha fina.
 

Segundo o diretor executivo da Confirp Contabilidade, Richard Domingos, a tecnologia pode ser uma aliada — desde que usada com senso crítico. “As Inteligências Artificiais são ótimas para explicar conceitos como rendimentos isentos, tributação exclusiva, ganho de capital, despesas médicas dedutíveis e até regras de obrigatoriedade. Elas agilizam o entendimento e democratizam o acesso à informação. Mas isso não significa que substituem a conferência técnica”, afirma.

 

IA ajuda, mas não assume responsabilidade

O principal risco está na confiança excessiva. A declaração do Imposto de Renda envolve informações patrimoniais, rendimentos, investimentos, imóveis, dependentes e cruzamentos eletrônicos cada vez mais sofisticados pela Receita Federal.
 

“Se a pessoa não tiver uma base mínima de conhecimento, pode não perceber quando a resposta da IA está incompleta, desatualizada ou genérica demais para o seu caso específico. A responsabilidade perante o Fisco continua sendo integralmente do contribuinte”, alerta Richard Domingos.
 

Ele ressalta que modelos de IA trabalham com grandes volumes de dados e padrões estatísticos, mas não têm acesso direto às informações individuais do contribuinte nem às atualizações em tempo real da Receita, salvo quando integradas a bases oficiais específicas.

 

Risco de informações desatualizadas

A legislação tributária brasileira passa por ajustes frequentes, limites de obrigatoriedade, tetos de dedução, regras sobre investimentos no exterior e incentivos fiscais mudam ao longo dos anos.
 

“Dependendo da ferramenta e da forma como a pergunta é feita, a IA pode trazer parâmetros de anos anteriores. Se o contribuinte não souber exatamente o que está buscando, pode acabar usando dados incorretos”, explica.
 

No IRPF 2026, por exemplo, continuam valendo critérios específicos de obrigatoriedade, limites globais de incentivos fiscais e regras sobre bens superiores a R$ 800 mil, que precisam ser observados com atenção.

 

Situações que exigem cuidado redobrado

O uso de IA pode se tornar especialmente delicado em casos como:

  • Venda de imóveis com apuração de ganho de capital;
  • Operações em Bolsa e criptoativos;
  • Investimentos e rendimentos no exterior;
  • Atualização de bens financiados;
  • Inclusão ou exclusão de dependentes;
  • Destinação de parte do imposto para fundos incentivados.

“São situações que envolvem cálculos específicos, programas auxiliares da Receita e detalhes técnicos. Uma orientação genérica pode levar a erro no preenchimento”, pontua o diretor da Confirp.

 

Richard Domingos compara o uso da IA à declaração pré-preenchida disponibilizada pela Receita: ambas facilitam, mas exigem conferência rigorosa. “Assim como na pré-preenchida, não se pode simplesmente aceitar tudo como correto. A tecnologia é apoio. A decisão final e a conferência são humanas.”

 

Como usar a IA com segurança

Para o especialista, o melhor uso das Inteligências Artificiais é como ferramenta complementar:

  • Tirar dúvidas conceituais;
  • Entender diferenças entre modelos de tributação;
  • Organizar lista de documentos necessários;
  • Compreender regras gerais de deduções.

“A IA deve ser vista como fonte de pesquisa e apoio, nunca como parecer definitivo. Quem assina e transmite a declaração é o contribuinte. É ele que responde caso haja inconsistência”, reforça.

 

Quando procurar um profissional

Para quem possui patrimônio mais complexo, múltiplas fontes de renda ou operações financeiras relevantes, a recomendação continua sendo buscar apoio especializado.
 

“A Inteligência Artificial ajuda a formar raciocínio, mas não substitui a análise técnica individualizada. Em muitos casos, o acompanhamento de um contador evita erros que podem custar caro”, conclui Richard Domingos.

Com o prazo de entrega do IRPF 2026 até 29 de maio, a tecnologia pode ser uma aliada importante — desde que usada com responsabilidade, conferência cuidadosa e atenção às regras atualizadas da Receita Federal.


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