O caminho de Cibelle Vieira, 21 anos, no mundo da arte e da comunicação começou cedo e encontrou no LABmais do Sesc de Petrolina (PE) um espaço fértil para crescer. O início desse processo foi há três anos, quando ela entrou para o laboratório de mídia e arte do Sesc, projeto que está em 17 estados e busca incluir jovens na economia criativa. Ela só não imaginava que aquele espaço abriria portas para novas oportunidades, transformando desafios em conquistas.
No LABmais, Cibelle aprendeu técnicas e conteúdo, ajudou na produção de festivais e, com uso da criatividade, potencializada pela mentoria que recebeu, participou de documentários, podcasts e chegou a integrar a equipe de importantes eventos, como o Fórum Regional de Juventudes, realizados em sua cidade natal.
Essa trajetória lhe rendeu o convite para dividir sua experiência com jovens de todo o país, que estarão reunidos em Caxias do Sul (RS), entre 4 e 7 de setembro, para o Festival nacional do LABmais. Ela participará do painel “Vozes das margens: comunicação, redes hiperconectadas”.
Os desafios para chegar até lá não foram poucos. A instabilidade na área da cultura exigiu coragem e persistência. “Nem sempre há segurança sobre a continuidade dos trabalhos. Também é difícil equilibrar os estudos com as atividades artísticas”, explica. Ainda assim, ela segue firme: “Moro em um bairro de periferia de Petrolina. Sou a primeira da minha família a viajar de avião, a primeira a entrar para uma universidade pública e a primeira a trabalhar com cultura. Estou cada vez mais entendendo as barreiras sociais que existem e sonho com um momento em que as periferias ocupem outros espaços, como as universidades. Ainda não sei para onde o destino me levará. Mas sinto que sou a primeira da minha família a caminhar para algum lugar fora do previsível”, comemora.
O Festival LABmais funcionará como um grande laboratório de mídia e arte em nível nacional com oficinas, palestras, performances e apresentação de trabalhos para estimular a troca de experiências e ajudar os jovens a se inserir no mercado de trabalho da economia criativa.
Cibelle promete agarrar essa oportunidade e tirar de lá muito aprendizado, além de levar sua própria trajetória aos colegas de LABmais de outras regiões. “Fazer cultura é estar em diálogo com as pessoas e com o território, reconhecer os saberes que já existem e criar junto. O LABmais foi a primeira experiência em que percebi que eu poderia viver da comunicação ligada à arte e à tecnologia. Foi lá que recebi meu primeiro salário trabalhando com cultura”, afirma.
Com o olhar voltado para o futuro, Cibelle sonha em continuar criando projetos com impacto social e que valorizem a diversidade cultural, mesmo diante dos obstáculos. “Meus planos incluem dar retorno para o meu bairro. O processo de criação cultural em Petrolina é cheio de desafios, mas também muito rico. A cidade tem uma força cultural enorme, mesmo com a falta estrutura. Esse é um espaço potente, que quero trilhar nos próximos anos”, conclui.
*Intercâmbio entre juventudes*
O projeto LABmais é realizado em 17 estados e forma jovens para o desenvolvimento de diferentes conteúdos, como podcasts, filmes, clipes, ensaios fotográficos, book trailers e muitos outros processos artísticos e na área da cultura, sempre em sintonia com tecnologias de interação midiática comuns a essa geração.
O Festival LABmais 2025 tem como tema "Entre corres e conexões: o que sustenta as juventudes?". Por meio de oficinas, painéis e performances artísticas, os jovens, que também participaram da construção da programação do evento, poderão colocar em pauta questões como comunicação e o respeito ao coletivo e uma produção cultural mais diversa.