Tecnologia verde aproveita palha de milho para gerar bioderivados de alto valor com economia
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: sexta, 30 de maio de 2025

Extração otimizada de açúcares, ácidos orgânicos e compostos fenólicos com propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias utiliza apenas água e é promissora para aplicações na indústria de biocombustíveis, farmacêutica e alimentícia

Ricardo Muniz | Agência FAPESP – Em estudo publicado no Biofuel Research Journal, pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) avaliaram a eficiência e o impacto ambiental do aproveitamento da palha de milho com uma técnica que utiliza apenas água pura como solvente para extrair bioderivados.

A palha de milho é um subproduto agrícola abundante (frequentemente descartado) e rico em compostos lignocelulósicos, como hemicelulose, celulose e lignina. No trabalho, fruto da pesquisa de doutorado de Rafael Gabriel da Rosa, o grupo de cientistas extraiu açúcares, ácidos orgânicos e compostos fenólicos com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas a partir desse resíduo, otimizando os parâmetros do processo ao empregar hidrólise (quebra de moléculas grandes em menores) com “água subcrítica” (em alta temperatura e sob pressão alta para evitar ebulição) em vez de hidrólise ácida. O avanço é útil para aplicações na indústria alimentícia, farmacêutica e de biocombustíveis.

A obtenção de cada subproduto depende de variações na temperatura e no pH, seguindo uma sequência de decomposição que inicia nos compostos fenólicos e termina nos ácidos orgânicos, passando pelos açúcares.

Os resultados revelaram uma recuperação significativa: a hidrólise subcrítica conseguiu obter compostos fenólicos em valores de 16,06 miligramas a 76,82 miligramas equivalentes de ácido gálico por grama (padrão na quantificação de compostos fenólicos), enquanto trabalhos com hidrólise ácida obtiveram 12,76 miligramas equivalentes de ácido gálico por grama.

No caso de açúcares (glicose, xilose e celobiose), foram obtidos 448,54 miligramas por grama de palha de milho hidrolisada a 170 °C por no máximo 30 minutos e pH 1. Métodos tradicionais de hidrólise não superam a marca de 74,5 miligramas por grama de palha hidrolisada. Assim, a um rendimento seis vezes maior aliam-se redução de custos em tempo e energia.

Finalmente, no caso de ácidos orgânicos (acético e fórmico), foram obtidos 1.157,19 miligramas por grama de palha de milho hidrolisada a 226 °C e pH 4,5. “Essa extração de ácidos orgânicos representa uma oportunidade concreta para a produção de precursores químicos renováveis com aplicação em plásticos biodegradáveis, solventes e conservantes naturais”, afirma Tânia Forster-Carneiro, orientadora de Rosa, coautora do artigo e professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp.

Fonte: https://agencia.fapesp.br/tecnologia-verde-aproveita-palha-de-milho-para-gerar-bioderivados-de-alto-valor-com-economia/54883

Foto: Freepik


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