“O diagnóstico é pilar importante para a definição de conduta para determinadas doenças, inclusive para a dengue. Isso numa perspectiva tanto de orientação individual, quanto de acompanhamento em relação ao número de casos e ao monitoramento da evolução da doença no corpo de uma pessoa. Então, isso quer dizer que as medidas são apoiadas por algo definido. Uma coisa é saber e ter a confirmação de dengue e outra situação é manejar por suposição, para que se possa monitorar ao longo do tempo e identificar quais são os períodos mais críticos de evolução. Isso em casos leves, que podem ser manejados em casa.
O diagnóstico é relevante, também, para diferenciar Dengue de outras doenças que podem ter sintomas parecidos, como as outras arboviroses, por exemplo, como chikungunya e até o zika vírus.O exemplo mais característico, talvez seja o da influenza e o covid, que circulam no Brasil todo nesse momento, junto com a dengue, e que podem trazer repercussões para populações mais vulneráveis e para aqueles que possuem doenças crônicas, principalmente.
Uma pista clínica de diferenciação das arboviroses em geral de outras doenças respiratórias é a presença de sintomas como coriza, tosse e espirros, menos comuns na Dengue e nas outras arboviroses. Já em relação a diferenciação da dengue das outras arboviroses, é um pouco mais difícil de fazer sem o diagnóstico. Isso porque a presença de artrite é mais indicativa de Chikungunya, assim como hash cutâneo é mais específico de Zika, porém podem aparecer também na Dengue.
Então, todas essas dificuldades de diferenciação clínica entre as doenças fazem com que os exames laboratoriais e os que dão apoio no diagnóstico, sejam ainda mais relevantes e necessários em momento de crise sanitária, especialmente durante a epidemia de Dengue. São eles que determinarão as melhores condutas, tanto de tratamento quanto de controle sanitário, como a necessidade do decreto de estado de alerta, emergência, epidemia ou pandemia, como aconteceu com a Covid.
O exame indicado para definição de Dengue, e que está mais disponível para a população em geral, é o teste de antígeno NS1, que é um teste no formato de teste rápido, que fica pronto em questão de minutos e é feito por meio da análise do sangue capilar, aquele extraído de uma picada na ponta do dedo. Esse tipo de exame está disponível tanto na rede pública quanto privada de saúde, inclusive nas farmácias.
Existem outros exames que são mais difíceis, mais caros e que não estão tão disponíveis como, por exemplo, os baseados em pesquisa molecular, como PCR ou LAMP, mas que são usados durante o processo de avaliação do comportamento da Dengue na pessoa, mas geralmente depois que já se tem o primeiro teste, diagnóstico. Os exames sorológicos, estão indicados mais numa fase mais tardia da doença, a partir do quinto dia do início dos sintomas. Os testes de antígeno e de biologia molecular para Dengue estão mais indicados no início da doença, entre o início dos sintomas e até cinco dias após as primeiras manifestações, que é quando a positividade dos exames é maior.
Resumindo, o diagnóstico é peça fundamental para o manejo adequado, do ponto de vista clínico, mas também em relação à gestão em saúde, considerando que ele pode pautar a necessidade, ou não, de medidas de prevenção, como o uso de máscaras e isolamento, como no caso da Covid, apenas para se ter um exemplo.” – Dr. Bernardo Almeida, infectologista e diretor médico da Hilab, biotech brasileira especialista em análises clínicas e saúde digital.