Setembro Amarelo é uma data dedicada à promoção da saúde mental e a prevenção do suicídio. Esse movimento surgiu em 2014 por iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM. No seu início, se resumia a reforçar o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10) e atualmente, se expandiu para falarmos de ansiedade, depressão, síndrome de burnout, doenças estigmatizadas e até desconhecidas.
O suicídio continua sendo um problema gravíssimo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde - OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios. São registrados mais de 700 mil casos em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, podendo chegar a um milhão. No Brasil, as estatísticas se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.
Para
chegar nesta atitude extrema, a pessoa passa por um processo que, muitas vezes, não foi percebido pelos familiares, amigos ou colegas de trabalho. Reconhecer e nomear os comportamentos e sintomas que afetam a saúde mental é algo recente e com uma longa curva de aprendizado a ser percorrida.
Em
termos gerais, a saúde mental refere-se ao estado psicológico e emocional de uma pessoa, abrangendo sua capacidade de lidar com o estresse, gerenciar emoções e manter relacionamentos saudáveis.
Uma pesquisa recente divulgada pelo Datafolha aponta que um terço dos brasileiros relata ter problemas frequentemente ou sempre com ansiedade, sono e alimentação. Os resultados mostram que, apesar da presença de sintomas de desânimo e falta de prazer nas tarefas diárias, cerca de 70% dos entrevistados acreditam ter uma saúde mental ótima ou boa. Outros 23% a consideram regular e apenas 7% disseram ser ruim ou péssima. Ou seja, não reconhecem o problema e, por isso, poucos buscam ajuda. Segundo o instituto, 21% dos brasileiros procuraram algum profissional focado em saúde mental nos últimos 12 meses como terapeutas, psicólogos e psiquiatras.
Se fizermos um recorte por gênero, esse índice cai 64% de ótima ou boa. Além disso, 45% das mulheres relataram que se sentem tristes, deprimidas ou sem esperança e 38% ansiosas. Ao colocar uma lupa nos grupos sub-representados, um outro relatório do Datafolha de outubro do ano passado indica que 92% que fazem parte da comunidade LGBTQIAP+ apresentaram algum problema de saúde mental. Para a população negra, o estudo acadêmico “Saúde Mental e Racismo Contra Negros: Produção Bibliográfica Brasileira dos Últimos Quinze Anos”, publicado por Marizete Damasceno e Valeska Zanello, ambas da Universidade de Brasília, comprova que a depressão é um dos efeitos mais relatados a partir de experiências de discriminação racial.