Guerra da Rússia: O receito das partes. Já não é uma 'Guerra Fria moderna', pois já iniciaram os ataques
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: terça, 01 de março de 2022

Prof. Dr Fabiano de Abreu Agrela, em Portugal, comenta sobre o receio por ambas as partes. 

 

A Ucrânia pede ajuda do ocidente que, por sua vez, condena o ataque russo, mas sem deslocamento ao território ucraniano. Para o PhD em neurociências, historiador e antropólogo com registro IFJ como jornalista internacional, o professor da Universidad Santander e Chefe do Departamento de Ciências da Logos University International, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, estamos vivendo o que ele chamou de: Guerra Fria moderna que não é uma Guerra Fria, pois há ataques, fazendo analogia ao período de tensão geopolítica entre a União Soviética e os Estados Unidos e seus respectivos aliados, o Bloco Oriental e o Bloco Ocidental, após a Segunda Guerra Mundial. Não são apenas tensões na organização e controle do quadro geopolitico. Há uma tensão e um 'receio das partes', ainda mais por já haver ataques como menciona: 

 

"O receio vem de todas as partes. A Rússia evita um maior massacre para ter argumentos mais amenos para o ocidente. Este por sua vez, teme o ataque nuclear. Estamos a falar de "dois mundos", o da direita e o da esquerda do mapa-múndi, com exceção de alguns países entre um lado e outro. Mas um arremesso nuclear da direita para esquerda e vice-versa, seria praticamente o fim da humanidade." 

 

O professor então continua: "Se por um lado o ocidente se garante nos Estados Unidos e Europa, por outro, a Rússia tem a China, Irã, Coréia do Norte, todos armados até os dentes e mais "destemidos", onde o seu próprio povo não é prioridade e não há uma cultura "paz e amor" de sua população. Enquanto a desculpa pela não ajuda imediata à Ucrânia faça parecer que seja pelo país não fazer parte da OTAN, não se pode esquecer que o não fazer parte tem relação com os riscos que sempre houveram na região, protegendo o próprio ocidente. A ajuda vem de outra maneira, com financiamento de armas para que o próprio povo ucraniano possa resolver os seus problemas, que não são atuais. Dr. Fabiano de Abreu Agrela então finaliza: "A questão é que, não estamos em 1940 e uma guerra nuclear seria um apocalipse que ninguém quer correr o risco de startar." 

 

 

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Guerra da Rússia: Quem poderia estar por trás dos pensamentos de Vladimir Putin

 

Prof. Dr Fabiano de Abreu Agrela, em Portugal, comenta sobre o conceito eurasiano que move o líder russo

 

Sabe-se que a invasão Russa à Ucrânia é um movimento anunciado, mas não era confirmado até que, na quinta-feira, dia 24 de fevereiro a Rússia decidiu em definitivo invadir a vizinha Ucrânia. 

 

Direto de Portugal, conversamos com o PhD em neurociências, historiador e antropólogo com registro IFJ como jornalista internacional, o professor da Universidad Santander e Chefe do Departamento de Ciências da Logos University International, o Dr. Fabiano de Abreu Agrela que nos contou o que pode estar por trás dos pensamentos de Vladimir Putin, confira na íntegra: 

 

Por: Prof. Dr. Fabiano de Abreu Agrela 

 

Alexandre Dugin, professor do Departamento de Sociologia da Universidade Estatal de Moscou, é o guru de Vladimir Putin. Pensador nacionalista ortodoxo na esfera geopolítica. Considerado uma variação do fascismo, superação do liberalismo e do comunismo, como mostra em seu livro “A Quarta Teoria Política, em 2009”.

É um pensamento da Guerra Fria modernizado. Ele prega pelo fim definitivo da hegemonia ocidental. É a chamada política eurasiana ou eurasianismo, um movimento político na Rússia, anteriormente dentro da comunidade de emigrantes russos "brancos", que postula que a civilização russa não pertence às categorias "europeia" ou "asiática", mas sim ao conceito geopolítico da Eurásia. Desenvolvido em 1920, o movimento apoiou a revolução bolchevique.

O eurasianismo prega a Rússia como referência ao lado da China. Putin já foi chamado por Dugin como “o homem da Eurasia”. A democracia não é um valor nas ideias de Dugin que também é contra os LGBT+, casamento gay chamando de perversão.

Mediante a este pensamento, Putin acredita que o povo russo e ucraniano é um só, chegou a mencionar antigo povo rus, considerado o ancestral comum de russos, bielorrussos e ucranianos. Ou seja, em sua ideologia, a Ucrânia deveria fazer parte da Rússia, traduzindo em miúdos.

A visão dominante do nacionalismo russo é que a Ucrânia é o coração da nação russa. Porém, não é o sentimento ucraniano que são fiéis opositores à Rússia, o que causa frustração e raiva no país vizinho.

Putin é um idealista convicto em deixar o seu legado, ex-agente da KGB (agência de inteligência da URSS), foi treinado na era soviética e acredita que o ocidente transformou a Ucrânia em uma região estratégica que ameaça à Rússia.

A guerra

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, iniciou o que chamou de 'operação militar especial' nesta quinta-feira, 24. As divergências entre os dois países têm origem logo após a Guerra Fria, com a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) para o leste europeu, e a incorporação de países que faziam parte da antiga União Soviética. A Ucrânia não faz parte da NATO, mas já vem negociando uma possível adesão ao grupo.

Com base nessa aproximação, a Rússia, comandada por Vladimir Putin, decidiu enviar militares para a fronteira entre os dois países. Mesmo negando, de início, estar preparando uma invasão, na manhã desta quinta-feira (24/02), a Ucrânia sentiu o poder bélico russo na pele.

Os ataques realizados pela Rússia geram consequências não apenas para a Ucrânia, ainda que o país seja o mais afetado, mas para os demais países do continente. O pós-pandemia, a preocupação em empregar a população e a maior inquietação que está relacionada a um possível aumento do gás e combustível em geral, já que ambos dependem da Rússia afetando a Europa e, como consequência, o resto do mundo.

Que fatores abriram o caminho para o conflito?

A Ucrânia é um “problema" para a União Soviética até 1991, altura em que votou esmagadoramente pela independência, no momento em que o maior país do mundo estava enfraquecido. Em 2004 se uniu à NATO (Aliança de países da Europa e da América do Norte) ex-repúblicas soviéticas do Báltico Estónia, Letónia e Lituânia. Em 2008, a organização declarou a sua intenção de propor a adesão à Ucrânia.

Em 2014 protestos em Kiev na Ucrânia forçaram a saída de um presidente favorável à Rússia. Foi então que a Rússia respondeu com a anexação da península ucraniana da Crimeia e a incitação a uma rebelião separatista no leste da Ucrânia, que veio a assumir o controle de parte da região de Donbas.

Com fracassadas tentativas de cessar-fogo desde 2015, os dois lados não alcançaram a paz e a linha da frente mantém-se praticamente inamovível. Já morreram quase 14.000 pessoas no conflito e existem 1,5 milhões de deslocados internos na Ucrânia.

Como isso afeta o Brasil?

Não somente as consequências de qualquer guerra que afetam na bolsa de valores e o mercado em geral. Sendo mais específico, afetam nos preços de combustíveis com o aumento da procura mundial. Com o comércio interrompido, os europeus passarão a ter a ausência de energia recorrendo ao mercado mundial deixando os preços mais caros. O que afeta no preço dos alimentos, instabilidade econômica, inflação pelas altas de energia, combustível e moedas. O crescimento econômico tende a ser freado com essas consequências.


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